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Domingo – o sol a ciciar cantilenas de mar
O homem a estudar as páginas do tempo
Eu preso no cerne da cabala
Procuro matar o você que habita em mim
O homem precisa desbastar o ego
Eu preciso saber o que diz de fato os versos
das minhas veias
Domingo – a praia a banhar-se de corpos
esculturados
O pescador a decifrar os códigos das pedras
O desatarraxar os parafusos das profecias
O homem é um hábil construtor de infernos
Preciso sair desse pântano, apagar esse fogo
Atravessar o lago – e do outro lado
Balançar-me na rede das simplicidades
E sentir o perfume da placidez.
-
Radyr Gonçalves
© 2017
Todos os direitos reservados
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