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Sábado – o calendário
massageia o peitoral do tempo
Cardíaco, afobado, cheio de
informações inúteis
A cosmogonia na visão dos
papagaios
A política na mão dos lobos
O reteté das ovelhas
doentes
Passarinhos descrentes –
patos dementes
O mundo gira, gira, gira
E volta para o mesmo lugar
Sábado – a couraça das eras
ainda resiste
Fadigada, tecendo descansos
à custa das guerras...
Mulheres descosturam o
corpo
Moças embaraçam-se entre as
teias da nudez
Homens desencurvam roteiros
Inventam destinos
Não encontram o parafuso
ideal
A resposta para os dilemas
E choram... Choram igual
criança, sem solução
Sentados no chão de uma
garagem
Constroem de forma genial
um foguete
Mas não sabem consertar a
vida, coitados!
-
Radyr Gonçalves
© 2017
Todos os direitos reservados
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