- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Presa neste cômodo amarelado de domingo
Sem as chaves do tempo – sem as
travas do destino
Nua dentro deste redemoinho louco de imagens
Tanto que eu queria um jardim – um naco
de paraíso
Uma esperança azul – uma
vereda aberta
Vago nos pavilhões pálidos deste domingo pálido
Cômodo infernal – sou o
quadro do desespero
Tenho silenciado dezenas de gritos que pululam aqui dentro
Tantos jornais não lidos –
documentos, recibos
Informações desnecessárias espalhadas
Poeira no telhado, lixo na calçada, ideias vencidas
As imagens nas paredes já não dizem nada
As cortinas já não dançam – o vento
cessou
Cessou a música fria da brisa que vinha da praia
Minha vida parou diante da imensidão incolor deste vazio
Estou perdida neste vão disforme de um domingo
E estarei perdida no quarto escuro de uma segunda-feira
Na monotonia descolorida da terça-feira...
Estarei presa todos os dias, para sempre – perdi
as chaves de mim.
-
SEM SAÍDA
MARIA AUGUSTA DE CARVALHO
Maria Augusta de Carvalho – é um heterônimo de Radyr
Gonçalves
Comentários