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Eu sigo na contramão – escapando por um triz
Às margens da louca Matrix – vou tocando meu pandeiro
Finjo calma – mas há uma pressão que entesa
meus nervos
Há um chicote que lapeia meus lombos enquanto
canto
Mas sou consciente do mundo além dos meus
olhos
Sei que algum artífice entalha meu futuro no
escuro
Sei que sou apenas mais um objeto que
escreve, debalde
Enovelo cada uma das minhas descrenças numa
prece
Acredito nas bruxas – nos intraterrenos
monoicos – no Absoluto
Creio no destoar das profecias – no desencanto
dos astros
Na mentira que desentulha a tristeza dos
deprimidos
Nos comprimidos que prometem fazer dormir
Na morte que enverniza as eras – que vai
limpando da terra
Homem por homem – pequenos e grandes – ricos e
pobres
Até mesmo aqueles que historiam o futuro nos
nossos ouvidos
Como se fôssemos tolos
(Mas somos tolos!)
Sabemos disso.
-
Radyr Gonçalves
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