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Matei com um
tiro um homem que feriu um cachorro
Matei minha
fome de livros e li todos os contos de Stephen King
Matei alguns
versos
Sangrei
alguns traumas
E fiquei
vendo a lua curtindo com a cara de uns astronautas
Estava aqui
Armado
Com dois
livros e um cravinote artesanal
- Eu
causaria a terceira guerra mundial para defender um cachorro
Matei com um
arco alguns traumas
Abandonei
bulas
Escrevi e
reescrevi laudas e mais laudas de poemas desconexos
Rasguei
minha coleção de mapas
Remendei
velhas revistas em quadrinho do Tio Patinhas
Fiquei
lembrando de quando eu era rico de alegrias tolas
Das minhas
guerras com sementes de mamona
Das minhas
bombas de balão de gás e água
Dos meus
planos estratégicos para desvendar mistérios elásticos
Matei muitos
sonhos
Matei
pesadelos
Matei rimas
Salvei
alguns pardais
Algumas
formigas
E outros
tantos insetos
Matei meu
tempo
E o tempo
passou
E eu fiquei
aqui... Velando sepultamentos semeados
Enquanto
apago verbos
Atravessados
nos versos
Dos quadros
do meu passado...
- Eu matei
um homem que matou um cachorro... Foi um tiro certeiro...
Não me arrependo.
-
Radyr
Gonçalves
In A Poesia
Radyrniana
Natal, 29 de
setembro de 2015