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Tentou cuspir o céu com o cuspe da sua dor
Tentou dançar um tango pra fugir da cor
Da vida preta e branca
Sem cheiro, sem ardor
Sentou em uma mesa
Cantou em uma banca
Todo o seu lamento de homem invocado
Perdeu na vida a mulher, os filhos
Perdeu lá na fazenda o cavalo e o gado
Tentou matar uma mosca com um tiro rápido
Tentou chorar sem lágrimas engolindo seco
Tentou rezar uma reza descrençada e fraca
Tomou veneno e drágeas para paranoicos
Tomou uma Coca Cola meio apocalíptica
Beijou o chão da besta, se encontrou com o diabo
Dormiu em uma vaga do estacionamento
Sonhou com Dorotéia colorindo um samba
As coxas da crioula era um terremoto
Os seios da menina era um tsunami
Chovia dinheiro para todo lado
A telha do barracão era toda de ouro
O asfalto onde dançava era cor de prata
Acordou bem cedo como um mendigo
Fedendo a cachaça, a mijo, a desgraça
Tomou um banho porco e saiu sorrindo
Pediu lá no bodega uma outra cachaça
Apertou o bucho procurando o fígado
Coçou bem os olhos verdes amarelado
Cutucou o dente único que tinha
Procurou na carteira não encontrou nada
Clemêncio perdoou aquela grande dívida
Deitou o moribundo em uma sinuca
Dormiu no verde campo ali daquela mesa
Adormeceu sem mesmo ter certeza
De sonhar com Dorotéia rebolando a bunda
... Sonhou com Dorotéia com as coxas duras
Os seios vacilantes fora do vestido
Trazia a vida ao velho moribundo
Que num sono tranquilo vivia tudo aquilo...