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Perdido
In the
middle of nowhere
Não tem água na cisterna
Não inverna
O sol me
consome
A fome
O deserto aqui de perto é mais longe
Infinitamente distante
Longe das luzes artificiais
Do veneno industrial
Dos cemitérios urbanos
Dos hospitais, dos sanatórios, dos escritórios
Dos médicos, dos advogados, dos delegados
Dos marginais
A orquestra do silencio aqui impera
Espera é música pra paciência
A hora aqui não passa
O dia que é longo
A noite que faz frio
Me arrepio
Fantasmas desalinhados se apressam no caminho
O céu que não se abre
A terra que não cospe
O inferno que não dorme
Perdido
In the
middle of nowhere
Morbidamente sensível
Enlouquecido
Esquecido
Eu queria agora ouvir
O mar gemendo pros barquinhos
E o farfalhar das folhas nos cais
Queria passar pro outro capítulo
Aonde sentado na beira da praia do mar
Ouviria a canção melodiosa de um grito
Um apito
E a voz
dela se espalhando no ar…
-
Radyr Gonçalves
Copyright 2013
Texto Premiado no Festival Nordeste Poema Novo