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Nas catedrais, anjos e mais anjos
Eles preferem a teologia; eu o silêncio
Eu choro um choro não sentido pelos entes divinos
Pelas minhas veias fagulhas do inferno contaminam-me
Em cada poema renasce o poeta
Só eu vou morrendo entre as santas letras
Um anjo explica a trindade, como é difícil a vida dos deuses!
Aquela multidão de crentes gritavam: Vão pro inferno!
Anjos são ateus, pra vocês que não sabem!
Conheço um anjo que é uma flor
Vejo falar de um que é todo espinho
Quem entrará na Canaã prometida?
Um fio de óleo ungido rolou em minha face
Meu anjo preocupa-se tanto com o meu novo nascimento que esquece que eu já morri
Esse anjo num é legal, é um herege
Que coisa feia, seu anjo, usar as coisas divinas para própria glória!
Muito lindo isso!
Já vi isso um milhão de vezes
Anjos abrindo contas e enveredando-se
Para as cousas mundanas e carnais
E as ovelhas abandonadas, coitadinhas
Lá no campo
Entoando: saber quantas estrelinhas...
Enquanto a orgia se faz culto
Quantos anjos corruptos, meu Deus!
Radyr Gonçalves
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