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Estou só e sorrindo pras corujas
Dono da noite e de uma fatia da lua
Dono de um fragmento único de um corpo que me interessa
E não toco...
Estou só como os anjos ranzinzas
Espiando da janela as pernas brancas das meninas
Que se atropelam com seus pesados seios químicos
Estou só como só é o sol das almas
Eu em minha beleza de solidão
Cheio de raios que me partem em quatro versos
Que me vira ao avesso
E me torna um homem feliz
Apesar do alto preço
De ter o livre arbítrio
Dentro desta gaiola de quatro paredes.
*
Radyr Gonçalves
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